Como contratar palestrante pelo SESCOOP SC: o processo, o credenciamento e o que avaliar
Por Kairam Cabral · Publicado em 30 de agosto de 2026 · 8 min de leitura

Resposta rápida
O SESCOOP SC mantém um cadastro de palestrantes e instrutores credenciados que cooperativas filiadas ao sistema OCB/SC podem acionar para capacitação. Entender como o processo funciona economiza tempo, evita contratação fora do sistema e permite usar de forma estratégica os recursos que a cooperativa já tem direito de acessar.
O SESCOOP SC não é só uma sigla. É o canal pelo qual cooperativas catarinenses acessam programas de capacitação com recursos que já estão disponíveis para elas, sem precisar buscar fornecedor fora do sistema cooperativista. E a maior parte dos gestores de RH de cooperativas ainda não usa esse canal da forma que poderia.
Este texto mostra como o processo funciona, quem pode ser acionado e o que avaliar antes de fechar a contratação.
O que é o SESCOOP SC?
O SESCOOP SC é o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Santa Catarina. Faz parte do sistema OCB (a Organização das Cooperativas Brasileiras) e atua em três frentes principais: capacitação de colaboradores e dirigentes de cooperativas, promoção social e monitoramento do desempenho das cooperativas filiadas.
Santa Catarina tem um dos sistemas cooperativistas mais expressivos do país. O SESCOOP SC agrega cooperativas de diferentes ramos: agropecuário, crédito, saúde, transporte, trabalho, infraestrutura e habitação. Cada cooperativa filiada ao sistema OCB/SC recolhe uma contribuição compulsória que financia, entre outros programas, as ações de capacitação do SESCOOP.
Isso significa que o dinheiro para capacitar a equipe e as lideranças já existe dentro do sistema. A questão é como acioná-lo de forma estratégica.
Quem pode contratar via SESCOOP SC?
Qualquer cooperativa filiada ao sistema OCB/SC pode acionar os programas do SESCOOP SC para capacitação de colaboradores, líderes e dirigentes. A elegibilidade depende do tipo de programa e da situação da cooperativa perante o sistema.
Os programas de capacitação do SESCOOP SC cobrem desde formações técnicas para gestão cooperativista até palestras e treinamentos comportamentais para equipes de liderança e equipes operacionais. O escopo exato de cada programa muda conforme o ciclo de planejamento do SESCOOP.
A contratação de palestrantes e instrutores externos pelo SESCOOP SC segue duas formas:
- Cadastro de instrutores credenciados: o SESCOOP mantém um cadastro de profissionais avaliados e aprovados para prestação de serviços ao sistema. A cooperativa pode solicitar um profissional desse cadastro.
- Validação de proposta externa: em alguns casos, a cooperativa apresenta uma proposta de um instrutor de sua escolha para validação pelo SESCOOP, que avalia a aderência ao programa e ao perfil de credenciamento.
Como funciona o credenciamento de instrutor?
O credenciamento é o processo pelo qual um palestrante ou instrutor passa por avaliação técnica e de perfil para integrar o cadastro de fornecedores do SESCOOP SC. Os critérios geralmente incluem formação, experiência comprovada na área e alinhamento com as demandas do sistema cooperativista.
Ser credenciado não garante contratação automática. Significa que o profissional está apto a ser acionado quando uma cooperativa demandar o serviço e que o SESCOOP SC reconhece a qualificação para atuar no sistema.
Para a cooperativa, contratar um profissional credenciado simplifica o processo: parte da avaliação de qualificação já foi feita pelo SESCOOP, o que reduz o trabalho do RH e dá mais segurança para apresentar a proposta à diretoria.
Como funciona o processo de contratação na prática?
O caminho mais direto é este:
1. Defina o objetivo antes do palestrante. O que você quer que a equipe faça diferente depois da palestra ou do treinamento? Essa resposta decide o tema, o formato e o perfil do profissional certo. Sem ela, você vai avaliar propostas sem critério e vai escolher pelo preço.
2. Entre em contato com o SESCOOP SC. A regional do SESCOOP SC atende a cooperativa para entender a demanda, apresentar os programas disponíveis no ciclo atual e indicar profissionais credenciados com perfil para o objetivo declarado.
3. Avalie o perfil do profissional indicado. Credenciamento é condição mínima, não garantia de resultado. Pergunte ao profissional: qual foi o último evento para uma cooperativa do mesmo ramo? Como o conteúdo é adaptado ao setor e à realidade da sua equipe? O que a plateia vai sair fazendo diferente?
4. Defina o formato correto. Palestra e treinamento têm resultados diferentes. A palestra abre o assunto em 60 a 120 minutos e é útil para sensibilizar a liderança ou abrir um ciclo de mudança. O treinamento é uma jornada de semanas que muda comportamento de fato, com prática espaçada e acompanhamento. Contratar uma esperando o resultado da outra é a causa de quase toda frustração com o investimento.
5. Formalize a proposta. A proposta detalha o objetivo, o formato, a carga horária, o público e o investimento. Se a contratação passa pelo SESCOOP SC, a proposta precisa estar alinhada com os requisitos do programa acionado.
O que avaliar num palestrante para cooperativas?
Cooperativa não é empresa comum. Tem uma camada a mais: a democracia cooperativista, os associados com voz e voto, a relação entre conselho de administração e equipe operacional, a identidade de pertencimento ao sistema. Tudo isso muda o tipo de conteúdo e o perfil de palestrante que rende para esse público.
Três critérios decidem a maior parte das escolhas:
Conhecimento do setor cooperativista. O profissional já trabalhou com cooperativas do mesmo ramo? Uma cooperativa agropecuária do Oeste de Santa Catarina tem uma cultura de liderança muito diferente de uma cooperativa de crédito na Grande Florianópolis. Exemplos do setor errado criam distância, não conexão.
Foco em comportamento, não em motivação. Cooperativa precisa de líderes que decidem, cobram e formam gente. Palestra motivacional entrega energia que dura poucos dias e não muda o que o encarregado de turno faz na segunda-feira. O critério certo é: o que a equipe vai fazer diferente depois disso?
Capacidade de adaptar, não de repetir. O briefing antes do evento é o melhor teste. Um bom profissional faz perguntas sobre o contexto da cooperativa, o público presente, o momento da organização e o que precisa sair combinado. Quem não pergunta vai entregar exatamente o que entregou no evento anterior, com o logo trocado no slide.
Que temas funcionam para cooperativas catarinenses?
As demandas de capacitação variam por ramo e por tamanho, mas alguns temas aparecem com frequência no sistema cooperativista catarinense:
Liderança de primeiro nível. O encarregado de turno e o supervisor de operações são o elo mais crítico e o menos treinado. Formados na área técnica, eles lideram pelo conhecimento do processo, não pelo comportamento de liderança. O resultado é um gestor que faz tudo sozinho e uma equipe que espera ordem.
Inteligência emocional para lideranças. Em cooperativas com milhares de funcionários e associados, a pressão sobre as lideranças é constante. Saber perceber e regular a própria resposta emocional sob pressão é a diferença entre uma decisão que resolve e uma que escala o problema.
Gestão de pessoas com foco em resultado. Delegar com critério, cobrar com consistência e dar retorno difícil no tempo certo. Esses três comportamentos, quando praticados pelos gestores intermediários, mudam o clima e o resultado da cooperativa sem precisar mexer na estrutura.
Comunicação assertiva para dirigentes. O conselho de administração e a diretoria executiva precisam falar com clareza para públicos muito diferentes: equipe, associados, imprensa e reguladores. O mesmo conteúdo, com o enquadramento errado, produz reações opostas.
Como o acesso ao SESCOOP SC muda por ramo?
Santa Catarina tem cooperativas em todos os ramos do sistema OCB. O contexto de capacitação é diferente em cada um:
Ramo agropecuário: as cooperativas agropecuárias do Oeste operam em turnos com equipes grandes, em planta de abate, fábrica de ração e unidade de processamento. A demanda de capacitação é voltada para liderança de turno e gestão de equipes operacionais. O encarregado de turno é o perfil mais acionado, porque é o elo mais crítico e o menos treinado do sistema. As cooperativas de base do Extremo-Oeste têm demanda semelhante, em escala menor.
Ramo de crédito: o ramo opera centenas de agências espalhadas pelo interior catarinense. A demanda de capacitação é diferente: o gestor de agência precisa equilibrar metas financeiras com cultura cooperativista. O SESCOOP SC cobre esse ramo e pode viabilizar treinamentos de liderança para gestores de agência e equipes de atendimento.
Ramo de saúde: as cooperativas médicas têm uma estrutura de liderança complexa: o médico cooperado é sócio, não funcionário, e as decisões de gestão passam por conselhos. O SESCOOP SC atende também esse ramo, com programas adaptados à governança cooperativista.
O processo de contratação é o mesmo para todos os ramos: contato à regional do SESCOOP SC, definição da demanda e indicação de profissionais credenciados com perfil para o setor específico.
Quanto custa e quem paga a conta?
Cooperativas filiadas ao sistema OCB/SC já contribuem para o SESCOOP. Usar os programas de capacitação é usar um recurso que já está pago. Não usar é deixar o dinheiro no sistema sem retorno direto para a cooperativa.
O SESCOOP SC tem limitações de escopo e de orçamento por ciclo. Nem toda demanda é atendida pelo sistema, e nem todo profissional é elegível em todos os programas. Por isso vale falar com a regional antes de fechar qualquer proposta, para entender o que o sistema cobre no ciclo atual e o que precisa de contratação direta.
Se você quiser uma proposta para palestra ou treinamento na sua cooperativa, com informações sobre o credenciamento pelo SESCOOP SC ou proposta direta, fale com Kairam pelo formulário de contato.
Uma última referência de escala, útil para dimensionar o pedido. O Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema OCB, com dados de 31 de dezembro de 2025, contabiliza 4.400 cooperativas e 613,4 mil empregos diretos no país, alta de 6,1% em um ano. Cooperativa que cresce o quadro nesse ritmo promove supervisor todo ano, e a demanda de capacitação tende a ser recorrente, não pontual. Vale planejar o ciclo inteiro em vez de um evento avulso.
Para entender o que muda na liderança dentro do sistema, leia liderança em cooperativas. Se a decisão for por jornada e não por evento, a comparação está em treinamento in company ou aberto, e o escopo em treinamento para cooperativas.
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Fontes
- sistema OCB (a Organização das Cooperativas Brasileiras (ocb.org.br)
- Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema OCB (somoscooperativismo.coop.br)
Perguntas frequentes
O que é o SESCOOP SC?
O SESCOOP SC é o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Santa Catarina, vinculado ao sistema OCB. Oferece programas de capacitação para cooperativas filiadas ao sistema cooperativista catarinense, financiados pela contribuição compulsória das cooperativas. Abrange formação técnica, desenvolvimento de lideranças e promoção social.
O SESCOOP SC oferece cursos e capacitações de liderança para cooperativas?
Sim. Entre os programas de capacitação do SESCOOP SC estão palestras, treinamentos e cursos de desenvolvimento de liderança para colaboradores, gestores e dirigentes de cooperativas. A oferta varia por ciclo de planejamento. A cooperativa pode solicitar cursos de um catálogo ou apresentar demanda específica, inclusive com instrutores credenciados externos ao quadro permanente do SESCOOP.
Qualquer cooperativa pode contratar palestrante ou instrutor pelo SESCOOP SC?
Cooperativas filiadas ao sistema OCB/SC podem acionar os programas de capacitação do SESCOOP SC, sujeito à elegibilidade pelo programa e ao ciclo de planejamento. O primeiro passo é contatar a regional do SESCOOP SC para entender o que está disponível no período e quais profissionais credenciados têm perfil para a demanda.
O que significa ser palestrante ou instrutor credenciado pelo SESCOOP SC?
O credenciamento indica que o profissional passou por avaliação técnica e de perfil pelo SESCOOP SC e está apto a prestar serviços ao sistema cooperativista. Para a cooperativa, simplifica o processo: parte da qualificação já foi verificada, o que reduz o trabalho de avaliação e dá mais segurança para apresentar a proposta internamente.


